Filhinho de papai queria ser o camiseta 13 do time dos apóstolos

Quando saiu a escalação do Time dos Doze, ele deve ter ficado tão frustrado quanto qualquer jogador que acha que joga “um bolão” e fica fora da lista dos convocados para a Seleção.

— Não consigo entender um negócio desses! Convocou tanta gente pior que eu e me deixou de fora? Logo eu que desde pequeno me preparo para jogar na equipe do Messias… Sou consagrado, dizimista fiel, abençoado, faria uma diferença danada nessa equipe… Vou conversar com Ele!

Quando se aproximou, foi logo perguntando:

— Bom Mestre, que é que eu faço para jogar no Seu time?

Talvez quisesse o elogio de volta, mas foi surpreendido pela resposta de Cristo:

— Bom só existe Um, rapaz! Se quer entrar para o time, você precisa respeitar as regras…

— Regras? Conheço todas desde criancinha. Sei tudo que não se deve fazer…

— Mas lhe falta uma coisa…

— O quê?

— O que falta é exatamente o que lhe está sobrando…

— Como assim?

— Você precisa se desfazer de tudo que lhe faz sentir-se superior ao Meu pessoal. Todos são iguais por aqui. Se você quiser jogar no time, venda tudo que tem, dê para os pobres e pode vir!

O jovem rico conseguiu a convocação, mas não quis pagar o preço. Igualar-se àqueles ignorantes pobretões, jamais! Assim, o time dos apóstolos perdeu a oportunidade de contar com um jogador extra. Um Camisa 13 para o banco de reservas, que, talvez, mais tarde, poderia até substituir a Judas Iscariotes.

O relato original desse encontro do jovem rico com Jesus Cristo e de sua triste recusa ao convite para segui-Lo consta dos três evangelhos sinóticos (Mateus 19:13-15; Marcos 10:17-31; Lucas 18:18-30). Isso parece ser um indicativo forte de que o episódio contém valiosas lições espirituais para todos nós. Afinal de contas, todos gostaríamos de aprender como garantir nossa vaga ao lado de Cristo, não é verdade?

O Que eu Faço para Obter a Vida Eterna?

O texto bíblico responde a essa pergunta, com a sugestão de quatro passos básicos, que nos asseguram a salvação:

1. É preciso enxergar em Jesus mais que um Mestre.

Jesus Cristo era a completa e perfeita revelação de Deus, mas o jovem e rico líder judeu via nEle apenas um Mestre. Ele até o chamou “bom mestre”, mas não reconheceu nEle a versão humana da própria divindade. Estava diante do Filho de Deus e não O reconheceu!

Quando Jesus Lhe disse que somente Deus é bom, o rapaz poderia lhe ter dito: “Eu sei que é assim e sei também que Tu és o Filho de Deus.” Mas não disse. Como diz o relato bíblico: “Aquele que é a Palavra estava no mundo. Deus fez o mundo por meio dEle, mas o mundo não O conheceu. Ele veio para o Seu próprio país, mas o Seu povo não O recebeu. Alguns, porém, O receberam e creram nEle, e Ele lhes deu o direito de se tornarem filhos de Deus.” João 1:10-12, BLH.

O jovem rico viu nEle um “bom mestre”, mas as profecias O descreviam de maneira muito mais ampla, qualificando-O como “Maravilhoso conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz”. Para que obtenhamos a vida eterna através de Jesus Cristo, primeiro nossos olhos devem ser abertos a fim de que nEle reconheçamos tudo isso: a santidade, soberania, eternidade e infinita bondade de Deus, que nos amou de tal maneira a ponto de fazer de Seu próprio Filho a nossa Salvação.

Depois que nos apropriarmos da revelação acerca do amoroso caráter de Deus feita por Cristo, estaremos prontos para o segundo passo.

2. É preciso reconhecer que temos uma dívida impagável com Deus.

O jovem rico queria fazer alguma coisa para herdar a vida eterna. Queria aquilo que os pregadores e teólogos chamam de de “justificação pelas obras”. Mas Jesus lhe fez ver que todas as nossas boas ações são insuficientes. Por mais que você faça, sempre estará faltando alguma coisa para a perfeição que Deus exige.

O jovem rico talvez quisesse um elogio: “Que mais farei para herdar a vida eterna?” Jesus lhe fez ver que deixar de fazer o mal – não desonrar pai e mãe, não matar, não adulterar, não roubar, não mentir, não cobiçar — ainda é pouco. É preciso fazer o bem. Amar a ponto de desfazer-se de tudo para beneficiar desconhecidos. O padrão é Cristo, que se desfez de toda Sua glória como Filho de Deus para vir ao nosso encontro e salvar-nos.

Além de corrigir o conceito que temos a respeito de Deus, precisamos admitir a verdade acerca de nós mesmos se pretendemos a vida eterna. Conscientizar-nos da imperfeição de nossas melhores ações. Obras sempre imperfeitas comparadas por um dos profetas a “trapos de imundície”. É necessário reconhecer a impossibilidade humana de obedecer, por nossas próprias forças e vontade, os mandamentos e instruções divinas. E concluir que estamos em permanente dívida com Deus.

Por mais que façamos o bem, nosso saldo lá em cima é continuamente negativo. Aquilo que pensamos de positivo sobre nós ou que os outros dizem de bom sobre a gente, pouco significa. Ainda que você desse 100% de seu salário como dízimo! Créditos meramente terrestres nada valem. É preciso depositar no Céu, em moeda celeste. Deus não aceita o “dinheiro sujo” das boas ações praticadas sem amor.

3. É preciso aceitar a Jesus Cristo como único Salvador.

Vender tudo que temos é também deixar para trás nosso fardo de culpas e fracassos e abandonar nossa bagagem ilusória de boas obras na porta do Céu. É parar de lutar contra Deus. Lançar fora a arma da autojustificação, erguer as mãos e cair de joelhos diante dele, dizendo: “Eu me rendo, Senhor! Tenha misericórdia e perdoe minha rebeldia!”

É parar de acreditar que podemos vencer nossos pecados por nós mesmos e aproximar-nos de Deus de mãos estendidas, como tataranetos-mendigos, que nenhum direito reivindicam a qualquer herança: “Nada tenho para Te oferecer, Senhor… Apresento-me perante Ti simplesmente porque preciso de Tua ajuda e confio em Teu amor!” Nosso único argumento perante Deus é nossa extrema necessidade. Nossa única esperança é tudo que Seu Filho nos revelou sobre Sua bondade.

Desfazer-se de todas as nossas posses equivale ainda a abrir mão de qualquer resquício de confiança própria que exista em nossa mente. É entender que todas as boas obras que já tenhamos praticado não nos tornam mais aceitáveis ou menos pecadores perante Deus. Afinal, todo bem que fazemos está sempre abaixo do padrão divino de qualidade, que é o caráter de Cristo.

É também confiar-nos incondicionalmente ao amor de Deus, revelado por Cristo em Sua vida e morte na Cruz. Não confiar em mais nada além dos méritos de Cristo. E ter sempre em mente que, embora estejamos sempre abaixo do limite nos registros do Céu, Jesus será nosso eterno fiador.

Expressar nossa fé em Deus, através da confiança exclusiva em Jesus Cristo para a salvação, é atender ao conselho do salmista: “Entrega teu caminho ao Senhor, confia nEle e Ele tudo fará.”

4. É preciso seguir a Cristo.

O jovem rico queria salvação instantânea, mas Cristo lhe mostrou que a salvação é processo que dura a vida inteira. Ele queria que Cristo lhe indicasse uma boa ação tão magnífica que lhe garantisse a vida terna de uma vez por todas. Jesus, porém, lhe fez ver que mesmo que vendesse tudo que tinha e desse aos pobres, ainda seria preciso segui-Lo por toda a vida.

Seguir a Cristo é conviver com Ele e absorver Seus ensinos. Seguir a Cristo é acompanhar-Lhe até a cruz e vê-Lo morrer em nosso lugar. É morrer com Ele, crucificar-nos com Cristo, ressurgir com Ele e viver nEle. É segui-Lo em santificação pelo resto de nossos dias.

Nesse episódio do ministério de Cristo, o relacionamento entre a chamada justificação e a santificação é ensinado de maneira prática e indiscutível. Justificação é obter a vida eterna, apresentando-se de mãos vazias perante Deus. Santificação é iniciar ainda neste mundo a vida eterna, seguindo a Cristo, após ter sido perdoado e aceito graciosamente por Deus. Isso implica em dizer que desistir de viver santificadamente é o mesmo que desistir da vida eterna.

Conclusão

A situação do jovem rico lembra a da Igreja de Laodicéia, que se imagina rica e enriquecida e que de nada tem falta. Guarda os mandamentos, tem o Espírito de Profecia, considera-se “a menina dos olhos de Deus”… Falta-lhe, porém, uma coisa. Falta Alguém. Falta Jesus dentro dela. Ele está do lado de fora e pede para entrar. Irá Laodicéia atender a esse amorável convite?

O texto bíblico sugere que essa é uma decisão a ser tomada individualmente. Embora Jesus Cristo, a Testemunha Fiel e Verdadeira, dirija-Se a toda a igreja, a promessa de salvação é feita de maneira individualizada: “Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em Sua casa. Cearei com ele e Ele comigo.”

Perceba que as condições para a salvação de Laodicéia são exatamente as mesmas apresentadas ao jovem rico:

  1. É precisou ouvir a voz e enxergar o Salvador lá fora.
  2. É preciso reconhecer a necessidade dEle e abrir a porta.
  3. É preciso permitir que Jesus Cristo entre.
  4. É preciso conviver com Ele.

Está você disposto a cumprir essas condições ou prefere retirar-se triste, como fez o jovem rico? — Robson Ramos, 20/01/01.

dezembro 15, 2015

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