Como se controlar na hora da raiva

Já estava tudo combinado. Se uns amigos da Cidinha que moravam no Rio conseguissem um emprego para mim, eu iria com ela para lá! Só que ainda não tinha conversado com os velhos sobre isso. E uma tarde, quando ela ligou para dizer que estava tudo certo, foi meu pai quem atendeu o telefone. E como a voz dele era (e ainda é) meio parecida com a minha, ela pensou que fosse eu e entregou tudo para ele…

Deu o maior rebu. O velho passou um sabão tão grande nela que ela não quis mais saber de mim. E eu fiquei com tanta raiva dele que lhe disse algumas “verdades” e… saí de casa! Meu sangue parecia estar fervendo. Passei a noite fora, num hotel.

No dia seguinte, achei que ele já havia aprendido a lição e voltei para casa. Esperava ser recebido com uma festa, como naquela história do filho pródigo da Bíblia. Mas, que festa, que nada! Recebi foi a maior surra da minha vida. E me arrependi na hora por ter voltado.

Hoje, fico pensando: Talvez, se tivesse me controlado e conversado com meu pai em vez de brigar e cair fora, as coisas teriam sido diferentes. Pelo menos não teria gasto toda a minha grana com o pouso no hotel… e escaparia da surra! O namoro com a Cidinha já havia ido para o beleléu mesmo…

Paguei muito caro por não saber esfriar a cabeça. E aquela não foi a única vez que isso aconteceu. Perder o controle é uma atitude muito comum. Por isso, quando li um artigo em espanhol sobre como controlar a raiva, tomei nota das sugestões do autor e desde então tenho procurado praticá-las. São dicas simples, mas funcionam.

1. Recupere a razão.

Contenha-se. Feche os olhos, cerre os dentes, respire fundo, solte lentamente o ar e procure recuperar o controle. Não pense no que a outra pessoa lhe fez ou disse, mas no que está perdendo em saúde por enraivecer-se. Comece a raciocinar novamente. Logo se convencerá de que não vale a pena esquentar-se desse jeito.

2. Exercite vigorosamente seu corpo.

O corpo necessita desenvolver exercícios físicos. Sapatear ou agredir a qualquer que cruzar seu caminho pode lhe parecer útil, mas não põe todo seu corpo em atividade e, além disso, pode causar-lhe problemas. O que lhe ajudará, sem dúvida, será correr cem metros, dois quilômetros, ou a distância necessária para que sinta ter esgotado o excesso de energia provocado pelo aumento da adrenalina no sangue.

3. Grite um pouco.

Possivelmente, você se sentirá melhor se soltar um gritaço do tipo Tarzan. Ou talvez dois ou três, dependendo de onde estiver. Isso compensa de certo modo a vontade de dizer “algo” a quem lhe ofendeu.

4. Conte a um amigo.

Depois de gastar um pouco de energia correndo, gritando ou por qualquer outra maneira, procure um amigo ou alguém com quem você possa conversar sobre o que aconteceu. Isso ajudará a analisar-se interiormente para descobrir o que realmente ocorreu e quão acertada foi a maneira como você lidou com aquela situação. Além disso, você poderá aprender como esfriar-se no futuro, ou ainda melhor, como se manter frio… em vez de perder totalmente o controle quando algo não sair como esperava!

5. Peça a Deus a paciência de que necessita.

Ele lhe dará paciência se a pedir, ainda que você esteja a ponto de estourar. E após receber Sua paciência, peça-Lhe a sabedoria necessária para saber conduzir-se da próxima vez. Deixe que Ele o(a) guie. Se permitir que o faça, Deus lhe mostrará a melhor maneira de tratar a pessoa que o(a) enraiveceu. Ou caso se trate de uma determinada circunstância, sugerirá a melhor maneira de agir em meio a ela.

6. Conte até dez.

Esse clássico conselho para o controle da raiva não é mencionado no artigo de onde extraí as sugestões anteriores, mas, por sua eficácia, poderia inclusive ter sido a primeira delas. Afinal, segundo a Dra. Carol Travis, psicóloga autora do livro Raiva: a Emoção Malcompreendida: “Vale para o corpo o mesmo que vale para as flechas: o que sobe tem que descer. Toda estimulação emocional há de ceder, desde que se aguarde o suficiente, embora algumas pessoas precisem esperar mais do que outras.”

dezembro 15, 2015

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